Escolas municipais experimentam revolução tecnológica
Com dois cliques, surge no meio do da tela gigante um enorme globo terrestre. Em seguida, o instrutor gira o planeta, passa pela África, cruza o oceano Atlântico e encontra o continente sul-americano. Localiza o Brasil, aproxima a imagem e acha São Paulo. Com destreza, vai clicando com uma caneta que não tem tinta, mas tem o poder de aproximar cada vez mais a foto que explode no grande monitor.
Foto: Eduardo Toledo

Evilásio faz test drive da nova lousa digital: tecnologia de ponta
Em poucos segundos, desvenda Taboão da Serra. A platéia já estava admirada, mas a carta na manga ainda estava guardada. Ele dá um zoom e voilá: está bem ali, naquela lousa, a escola onde todos estavam sentados aguardando a novidade. Vista de cima, “lá do satélite”, como disse um dos pais que assistia a demonstração, a foto mostra com detalhes todo o bairro. As pessoas se renderam. Aplausos e mais aplausos.
A pequena e simples demonstração impressiona. Não pela tecnologia, usada pelo Google Earth, mas sim pela aplicação dela dentro das salas de aulas das escolas públicas municipais da cidade. E no meio da periferia, onde as pessoas mal conseguem enxergar os entardeceres, está ali o mundo todo, a um toque de botão.
A apresentação segue, o instrutor mostra os softwares de matemática, geografia e ciências. Na tela mágica, as crianças aprendem brincando. A máquina pergunta a letra e ajuda a formar as palavras e depois as frases e depois as histórias. Tudo some da tela como mágica. Ela continua brilhando e ali, do nada, pipoca um vídeo com imagens selecionadas previamente pelo professor.
Até o fim do ano, todas as 22 escolas de ensino fundamental da cidade vão receber uma lousa digital. O projeto é ambicioso, dá poderes quase que extraterrestres para os professores prenderem a atenção dos alunos e fomentar nas cabecinhas deles a curiosidade, a vontade de explorar os cantos do país, do mundo e do universo.
Para uma geração que já nasce com conta no MSN, as inovações que estão sendo implantadas pela Prefeitura de Taboão da Serra em parceria com a empresa Planeta Educação, são bem-vindas e necessárias. Nada vai substituir a inteligência humana, o contato entre aluno e professor ainda é fundamental, mas as lousas digitais são um bom incentivo para que a molecada tenha interesse nas aulas 2.0.
Na platéia, o orgulhoso prefeito Evilásio Farias levanta para interagir com o equipamento. Avesso a computadores e “essas coisas tecnológicas”, o prefeito mostra que até ele está se adequando aos novos tempos, deixa escrito na lousa, com sua caligrafia de médico, seu e-mail pessoal: “está disponível para todos”, brinca.
Os vereadores Cido, Natal, Paulo Félix, Carlos Andrade e Arnaldinho se encantam, a lousa promete mesmo ser uma revolução. E pedem em coro: “mostra agora Cabaceiras”. E depois a viagem continua pelo Rio Amazonas e até pelo estádio do Morumbi. Os pedidos não param, os pais querem ver a torre Eifel, a Argentina e o Japão. Na parede na sala de aulas, crianças e adultos viajam pelo mundo, que cada vez mais está pertinho de Taboão da Serra.