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Uma breve homenagem ao professor da vida: Said Jorge de Moraes

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Redação

02/07/2010 00:00

 

Nesta quinta-feira, dia 1º, o prefeito Evilásio Farias nomeou o novo Secretário de Educação, o educador José Marcos, o simpático e competente Zé Marcos, que exala camaradagem a cada sorriso. A cada cumprimento que dá, sempre olhando nos olhos, transparece toda sua simpatia. É chover no molhado, é repetir o chavão: mas sua missão será árdua. A pasta que tem o maior orçamento tem também a maior responsabilidade de todas, transformar crianças em cidadãos.

Mas quero pedir licença para falar de um assunto pessoal. A partir daqui, o que se trata foge da política, foge da impressão fria das palavras na tela do computador e foge do obscurantismo que é a maldita objetividade do jornalismo. O que escrevo é um agradecimento que eu talvez ainda não tenha feito em público.

Retrocedendo alguns dias na memória, encontrei o professor Said no Pirajuçara. Sempre sorrindo, me deu um abraço caloroso, disse palavras doces e bateu no meu rosto com um carinho e delicadeza que somente quem carrega uma vida cheia de alegrias no coração pode fazer.

Said Jorge de Moraes estava com a família. A bela (em todos os sentidos) esposa, Maria Helena, a filha Daniela e seu genro. Feliz como sempre, brincou com o meu atraso. “Onde já se viu um jornalista chegar atrasado a um evento?”. E abriu um sorriso que me calou. O professor Said sempre sabe ser gentil, mesmo em situações onde um esporro cairia bem melhor.

Alguns dias depois, Said, que então ocupava o cargo de Secretário de Educação, pediu afastamento por motivos de saúde. É aí que entra o primeiro parágrafo do meu texto, uma vez que o Zé Marcos assumiu o seu posto. Quando fiquei sabendo da notícia, confesso que fiquei preocupado. Tentei ligar, mas Said fez charme não atendeu. No dia seguinte, falei com ele. Said me tranqüilizou, está bem, rindo como sempre, celebrando a vida e fazendo piada: “passei o dia de pijama”, brincou.

Tenho uma dívida impagável com o Professor Said. Foi ele que me deu a primeira oportunidade na vida profissional. Comprou uma briga sem tamanho, mas manteve sua palavra e me ensinou (talvez ofício de professor) outra lição, que todo homem tem seu valor. A partir da sua generosidade sem tamanho, consegui terminar a faculdade, fiz cursos, aprendi lições, trabalhei muito ao seu lado e conheci o outro lado da vida. Deixei de ser criança e virei adulto.

Tenho um quadro no meu escritório que diz, em espanhol, que a vida é linda, o problema é que muitas pessoas confundem lindo com fácil. Said me ensinou bem isso, que temos que aproveitar muito a vida, mas sem esmorecer. Foco e determinação. Alegria e sagacidade. Amor, família e respeito aos amigos.

Said é meu padrinho de casamento, é meu amigo de cerveja no “Portuga”, meu companheiro em horas difíceis, meu amigo em horas boas e sempre foi uma pessoa que me serve como espelho. Sempre fez tudo certo na vida. Said acompanhou, mesmo de longe, boa parte da minha vida adulta e por essas coisas da vida, nunca tive oportunidade de apresentá-lo para os meus pais. Vai entender, né?

Em um artigo, Sérgio Vaz escreveu sobre ele: “As rugas do meu amigo escrevem certo por linhas tortas, seu rosto é o mapa da cidade. Em sua face, tecida crua pelo tempo, é possível localizar cada bairro e se achar por cada rua que lhe escorre pelos olhos”. Said é a cara de Taboão da Serra.

Said deixou a Secretaria de Educação, cargo que ocupou por duas vezes, porque os médicos o obrigaram. A educação sempre foi a paixão da vida desse homem que deixou Pinhal, no interior de São Paulo, para escrever a história de Taboão da Serra. E entre um capítulo e outro, Said também marcou a vida de muitas pessoas. Eu, uma delas.

Na próxima semana vou até a casa do professor tomar um café, jogar conversa fora, falar sobre viagens, restaurantes, botecos, sonhos, alegrias e angústias. E entre tantas coisas importantes e também desimportantes, vamos abrir um sorriso e celebrar a vida, como sempre fazemos.