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Câmara Municipal aprova novo estatuto do magistério

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Redação

26/05/2010 00:00

 

Em vigor desde 1986, o estatuto municipal do magistério foi comemorado na época como uma das maiores conquistas da categoria. 14 anos depois, a Câmara Municipal de Taboão da Serra foi palco de um dos mais barulhentos protestos de sua história. Cerca de 150 professores se diziam contra a votação do novo estatuto e do novo plano de carreira.

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Entre as principais mudanças, um novo piso salarial para a categoria: R$ 1.356,00, mas o que os professores reclamam mesmo é do fim das faltas abonadas e do aumento do controle principalmente sobre a frequência. “Vamos trabalhar com a faca no pescoço, ninguém vai ter tranquilidade de ir para a sala dar aula”, confessou uma professora que pediu anonimato.

Foto: Rose Santana

Professores promoveram um apitaço durante a Sessão que aprovou o estatuto

O protesto contra a votação começou antes mesmo da sessão. Às 17h, diversos professores já estavam reunidos na porta da Câmara com narizes de palhaço e com uma arma poderosa: apitos. Assim que os vereadores entraram no plenário, a barulheira começou e um som ensurdecedor tomou conta da Casa de Leis.

O projeto enviado pelo prefeito Evilásio Farias foi discutido com uma comissão de professores eleita pelo próprio magistério. “Conseguimos algumas coisas e tivemos que doar outras”, disse Arthur, um dos representantes da comissão. Para a professora Roseli, também da comissão, o projeto merece uma nota sete. “Tudo que eles estão falando esta exatamente como foi acordado com a comissão. Essa comissão foi eleita pelos pares para representá-los”, falou.

A boa intenção dos vereadores não foi suficiente para conter a manifestação. “A maior perda é salarial. Quem ganhar mais de cinco salários perde o direito à cesta básica, ou seja, não precisa se alimentar. Essa comissão não foi eleita por todos os professores, nem todos estavam presentes, não foi passada uma ata para informar o que estava sendo decidido, ficamos sabendo de tudo aqui, agora. Infelizmente a classe não é unida. Com isso nós só tivemos perdas, não temos transporte, nem material para trabalhar. Como podemos dar uma boa aula sem material? Esse Educa 10 só desuni a categoria”, declarou uma professora que preferiu não se identificar. 

Para outro professor as mudanças foram insignificantes, melhorou uma coisa e piorou outra, e reclama que a Câmara Municipal não recebe o único órgão que poderia representá-los. “O sindicato é o único órgão que poderia nos representar, mas não é recebido pela Câmara. Eles não concordam com eles. Essas modificações não melhoram em nada, ficou elas por elas”, disse.

A reportagem do Portal O Taboanense tentou falar com Sandra Cristina, professora e presidente do Sindicato, mas ela preferiu não conceder nenhuma entrevista. Já para o vereador Wagner Eckstein, esse não era é o projeto ideal, mas foi o melhor para o momento. “Talvez esse não seja o estatuto dos nossos sonhos, mas ele garante ao professor que estudar e se dedicar, uma evolução, e garantiu que não haverá nenhum tipo de perda”.