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Coisas de mãe e filha

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Redação

07/05/2010 00:00

Hoje acordei aflita porque a semana já esta acabando e ainda não comprei os presentes da minha mãe e o da minha sogra… Buscando na internet uma boa inspiração para presenteá-las, me peguei pensando na minha infância e em alguns sublimes momentos ao lado de minha mãe.

Lembrei dela me penteando para ir pra escola. Por um momento pude sentir suas mãos delicadas passando a mão no meu cabelo, ao final daquele belo rabo de cavalo ou par de maria chiquinhas, ela olhava pra mim orgulhosa, devia me achar uma menina bonita. Minha mãe é a legitima rainha do lar, acorda cedo, liga o rádio, faz café, busca pão e leite na padaria, recebe a família para o café da manhã como se fosse um evento.

Limpa a casa todos os dias, faz almoço e janta. Chego a lembrar do cheiro de comida fresquinha no final de todas as tardes. Quando estava em casa e eu era sua companhia nesta hora, ela cozinhava e eu contava minhas peripécias da escola, minhas crises, ela atenta escutava, mas sempre que podia, me chamava atenção para o preparo da comida. “Daniela, corte a cebola bem fininha”. Não aprendi a cozinhar como ela, mas a nossa conversa era bem mais interessante.

Não quero me gabar, mas acho que fui a grande companheira de minha mãe. Ela sempre me levava com ela nos lugares, cabeleireiro, mercado, centro da cidade, médico, dentista, cheguei até acompanhá-la nas aulas práticas da auto escola. Ela e o instrutor na frente, e eu pequena ainda no banco de trás, pensado que um dia também teria meu carro.

O tempo foi passando, mamãe sempre ao meu lado, me ajudando, dando conselhos, às vezes brigando, mas sempre, sempre presente, apoiando minhas decisões, mesmo sabendo que eu não ia me dar bem.  Ela nunca impediu meu amadurecimento. Apesar do seu carinho e preocupação exagerados, nunca se meteu em minhas decisões. “Ah, dona Dirce se eu tivesse te ouvido mais”. Com certeza, não teria errado tanto…

Muito anos depois, quer dizer nem tantos assim, já aqui em Taboão da Serra, há 20 kilometros de distância da minha mãe, conheci uma outra mãe. Uma mãe tão especial e querida quanto a minha. Minha sogra. O cargo familiar mais criticado e talvez um dos mais injustiçados também. Mas enfim…

A minha sogra é uma das mulheres mais elegantes que já conheci. A Sô transita nas situações mais complicadas que um pessoa pode viver, mas não perde sua delicadeza e paciência por nada. Professora de profissão, estar com ela é sempre um aprendizado.  Dona de um equilíbrio impar estou sempre disposta a aprender suas lições. Vamos ver se agora, um pouco mais velha, aprendo com mais facilidade as lições que a minha primeira mãe tentou me ensinar. Vocês sabem como é, com mãe não se discute. E tenho dito!


Daniela Monteiro, jornalista, é mãe também e seu filho discorda com ela o tempo todo. Mesmo assim se esforça para ser um bom exemplo para ele.