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E se o Lula fosse preto?

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Redação

16/06/2008 00:00
O Povo Americano passa por um momento muito especial na sua história, pela primeira vez um negro é candidato a presidente da república por um grande partido, Democrata, nos Estados Unidos, e para um país assumidamente racista, não é pouca coisa esse feito.
Só para se ter uma idéia, no Brasil é comum a gente ouvir que não podemos importar essa luta de brancos e negros norte-americanos para não alimentar o ódio racial, que pode atrapalhar o bom andamento da nossa democracia de pele, mas você já reparou que é sempre um branco racista, que não são poucos, que diz isso? Outra pergunta que fica no ar é: dividir para somar, é uma solução?
Sou contra qualquer tipo de ódio, mesmo contra Argentino, mas se a gente pegar as conquistas do negro americano que vive a tensão racial e a do brasileiro que vive o racismo camuflado, temperado pelo carnaval da cordialidade, as diferenças são gritantes. Primeiro que quando a gente fala de racismo, é rancoroso, mas se um branco diz, é estudioso. Eu não sou rancoroso nem estudioso, por isso sei do que estou falando.
Numa breve pesquisa em sites gringos é possível descobrir que o número de políticos negros influentes, tais como vereadores, deputados, senadores e ministros, é bem maior que o nosso paraíso verde-amarelo. Pronto, Obama é senador.
Não sou fã da política americana, sou estou falando de números. Outra coisa, é que se você reparar na TV aberta a maioria dos programas, sitcom, vídeos-clipes e filmes, são protagonizados por negros americanos. Um espaço generoso na mídia que o preto brasileiro ainda não pode beliscar. O Cantor Wilson Simonal bem que tentou… vocês viram o que aconteceu.
Aqui, até nas novelas, quando um negro consegue um papel, por menor que seja, e é sempre menor, ele sempre está apaixonado por homens e mulheres brancas. Ué, então onde foi parar a democracia racial?
Acabei de assistir uma peça no TUCA, "A Serpente" de Nelson Rodrigues que no prospecto que você recebe antes do espetáculo, estão escritas várias informações, entre elas, o nome dos atores e de seus personagens, tipo fulana de tal, Guida, sicrano, Paulo, nomes normais, mas aí quando você chega na atriz negra, o nome da personagem é… se prepara… se liga… é: "Crioula das ventas triunfais". Isso mesmo. Não acredita?
Não, não estou sendo rancoroso, está escrito no prospecto de divulgação. Até guardei um para provar. O nome, "crioula das ventas triunfais", pode até soar meio Grego… porém não desce. Falta-me cultura para entender?Só que agora vou ser rancoroso: "A pior solidão de um paulista é ler um texto deste do Nelson Rodrigues".
Mas vamos deixar essas sutilezas de lado e vamos voltar ao Estados Unidos, onde o ódio racial é declarado.Não deve estar sendo nada fácil para a Ku Klux Klan e os simpatizantes da WASP (White, anglo-saxon and protestant – Tradução: branco, anglo-saxão e protestante), similar ao TFP (tradição família e propriedade no Brasil), estarem engolindo a novidade.
Mais o mais louco de tudo, é que tudo que envolve o Obama parece castigo para os arianos do norte. Vai vendo a ironia, ele é filho de negro Kêniano mulçumano com uma branca, e após a separação dos pais, foi morar com o padrasto na Indonésia por alguns anos até voltar ao Havaí, sua terra natal. E seu nome mais parece um atentado humorístico da Al-qaeda, Barack Hussein Obama Junior, do que propriamente um líder estadunidense.
Só sei que de engraçado o negão não tem nada, foi ativista dos direitos civis, é formado por duas das mais importantes universidades do país, Columbia (ciências políticas) e Harvad, e tudo isso aos 46 anos de idade. Mas apesar de tudo, ainda desconfio, ele continua sendo americano. E também porque outro dia li que ele mandou um recado dizendo que a Amazônia não é só do Brasil, mas do mundo. Será que é por isso que lá na floresta tem 350 ONGS estrangeiras colhendo o fruto brasileiro ? Obama neles? Ibama em "nóis"!
-Se liga Hussein, a Amazônia é nossa, se alguém tem que destruí-la, somos nós!
Obama vai disputar a final por vários motivos. Primeiro porque acho, que tanto para o bem como para o mal, homens e mulheres, brancos e negros, com as mesmas oportunidades, chegam ao mesmo lugar, e é por isso que sou a favor da igualdade racial, acredito nisso, não por afro-conveniência, mas por convicção humana. Por achar que meu espírito merece respeito.
Segundo porque o conservadorismo está envelhecendo depressa demais, e a internet é a prova disso, não se pode mentir como se mentia há 30 anos, e o Bush sabe do que eu estou falando. Sem mentiras, sem controle.
Bom, ele ainda não ganhou a eleição, vai ter que disputar ainda com o senador republicano John Mccain, veterano de guerra do Vietnã, e quem sabe com um oponente tipicamente americano e disposto a jogar qualquer tipo de gás Sarin para destruir o democrata negro, a gente possa realmente saber o que esperar do Barack. No mais, estou esperto, "periferia é periferia em qualquer lugar (Gog)", americano também.
Ainda bem que no Brasil não tem ódio racial, mas fiquei pensando: "e se o Lula fosse preto?"